
O Projeto
A 100% Amazônia surgiu em 2009, quando suas fundadoras, Fernanda Stefani e Joziane Alves, identificaram uma contradição: apesar da riqueza da biodiversidade amazônica, as comunidades locais não se beneficiavam plenamente desse valor.
Com a crescente demanda global por ingredientes naturais e sustentáveis, perceberam a oportunidade de criar uma ponte entre esses mercados e as comunidades amazônicas, respeitando seus saberes e a floresta.
Assim nasceu a 100% Amazônia, com a missão de levar bioingredientes ao mercado internacional, promovendo renda para povos tradicionais e agricultores familiares, ao mesmo tempo em que conserva a floresta por meio de parcerias transparentes, inovação e valorização da sociobiodiversidade.
Como diz seu manifesto: “Criamos um processo para todo mundo sair ganhando. Sem lado mais fraco. Sem atalho.”
“O açaí é o futuro do nosso povo, que deixou de morar em casa de palha e paxiúba, comprou barco, colocou filho na universidade” — Leubaldo Costa, 47, presidente da Caepim (Cooperativa Agrícola dos Empreendedores Populares de Igarapé-Miri).
Esse depoimento ilustra com clareza como a 100% Amazônia não apenas gerou renda, mas abriu caminhos de ascensão social e perspectiva de futuro para comunidades tradicionais.
“Foi a 100% Amazônia que despertou a possibilidade de trabalhar com produção orgânica. Conduziram o processo inicial de certificação e hoje caminhamos com nossas pernas...” — Leubaldo Costa

Mercados e Produtos de Exportação
Adaptação a mercados internacionais: pioneirismo e liderança feminina
Para conectar os saberes tradicionais da floresta às exigências rígidas dos mercados globais, a 100% Amazônia desenvolveu uma estratégia de “ponte cultural e técnica”.
Por um lado, valoriza o conhecimento ancestral das comunidades locais — quem planta, extrai ou colhe entende da sazonalidade da floresta, dos ciclos naturais, da flora, dos modos de manejo tradicional.
Por outro, investe em inovação, tecnologia e governança moderna. A empresa opera como B Corp certificada desde 2019, com impacto socioambiental mensurável e elevados padrões de transparência.
Seus bioingredientes (polpas, pós, óleos, manteigas, extratos) passam por rigorosos testes de qualidade, rastreamento de origem, certificações (orgânicas, padrões internacionais) e controles de segurança, garantindo que atendem às exigências de compradores em mercados exigentes como cosméticos, alimentos, nutrição e farmacêuticos.
Essa articulação permite traduzir o “saber da floresta” para o “valor do mercado global” — mantendo a essência, a ética e a colaboração com quem de fato cuida da Amazônia.
Dilemas e obstáculos socioambientais: foco em rastreabilidade
Um dos principais desafios da 100% Amazônia foi integrar comunidades isoladas, sem infraestrutura formal, às exigências técnicas, regulatórias e logísticas do mercado internacional. A falta de rastreabilidade, padronização e escala limitava o acesso a mercados de maior valor.
Para superar isso, a empresa:
investiu fortemente em capacitação das comunidades parceiras;
estruturou as cadeias produtivas locais com base em parcerias de longo prazo;
implementou governança e rastreabilidade para garantir transparência;
ergueu sua própria unidade industrial (a “Fábrica da Floresta”), concebida para operar com tecnologia 4.0, mas adaptada ao ritmo da floresta — respeitando sazonalidade, manejo sustentável e regeneração.
Assim, transformaram um cenário de exclusão em um modelo de inclusão produtiva: comunidades integradas, floresta preservada, e bioingredientes de alto valor para o mercado global.
Inovação que fez a diferença
A principal inovação da 100% Amazônia foi ampliar seu portfólio além do açaí, incorporando óleos, manteigas, extratos e outros bioativos para atender setores como cosméticos, alimentos, suplementos e farmacêutica.
Outro marco foi a criação da “Fábrica da Floresta”, que combina tecnologia e boas práticas socioambientais, permitindo escala, padronização e competitividade internacional.
A empresa também desenvolveu serviços como consultoria, marca própria, logística especializada e P&D (Amazon LAB), ampliando sua oferta de soluções para clientes globais.
Novidades, Certificações e Estratégias de Mercado
Perfil produtivo & mercados atendidos
Portfólio: mais de 50 bioingredientes não-madeireiros, provenientes de cerca de 25 espécies amazônicas. Isso inclui polpas, pós, óleos, manteigas e extratos — utilizados por indústrias de alimentos e bebidas, cosméticos, cuidados pessoais, nutracêuticos e farmacêuticos.
Processo de produção: colheita sustentável e renovável, testagem de cada lote, processamento cuidadoso para preservar propriedades naturais, respeito à sazonalidade, rastreabilidade completa.
Certificações e sustentabilidade: empresa B Corp; padronização e governança; compliance com normas internacionais.
Escopo global: entrega para mais de 65 países, com presença consolidada em mercados exigentes de cosméticos, alimentos e nutrição.
Exportação & requisitos de compradores
Os compradores internacionais de bioingredientes amazônicos exigem rastreabilidade, certificações (orgânico, sustentabilidade e qualidade), controle de contaminantes e conformidade com normas de segurança alimentar, além de requisitos técnicos de validade, embalagem e armazenamento.
Para atender a esses padrões, a 100% Amazônia adotou processos rigorosos de embalagem e controle, com rotulagem completa (lote, validade, certificações) e acondicionamento adequado, garantindo a qualidade de polpas, óleos, manteigas e extratos até o destino final.
Mais do que fornecedora, a empresa atua como parceira estratégica para negócios que buscam bioingredientes com qualidade, rastreabilidade e impacto socioambiental positivo.

Conclusões e o Futuro
Sonho mensurável até 2030
Para os próximos anos, a Coopemapi projeta metas estratégicas:
ampliar o número de cooperados, integrando mais famílias do Norte de Minas;
aumentar o volume produzido e processado de mel e derivados;
expandir o portfólio para produtos de maior valor agregado;
consolidar certificações, rastreabilidade e reputação internacional;
promover a conservação da biodiversidade regional;
fortalecer a visibilidade do “mel silvestre de Minas” no mercado global.
Mel com identidade do seminárido mineiro
A trajetória da Coopemapi demonstra como cooperativismo, biodiversidade, saber local e apoio institucional podem convergir para gerar desenvolvimento sustentável. De uma atividade artesanal e dispersa, emergiu uma cooperativa estruturada, com infraestrutura, certificações e acesso a mercados internacionais.
Mais do que exportar mel, a Coopemapi exporta dignidade, sustentabilidade e esperança. Cada remessa carrega a identidade do semiárido mineiro, o trabalho coletivo de famílias rurais e a convicção de que a apicultura familiar pode transformar realidades e levar o Brasil profundo ao mundo.
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